Versos e Meditações
Para Época de Micael
Temos de erradicar da alma todo medo e terror do que o futuro possa trazer ao homem.
Temos de adquirir serenidade em todos os sentimentos e sensações a respeito do futuro.
Temos de olhar para a frente com absoluta serenidade/equanimidade para com tudo o que possa vir. E temos de pensar somente que tudo o que vier, nos será dado por uma direção mundial plena de sabedoria.
Isto é parte do que temos que aprender nesta era, a saber viver com pura confiança, sem qualquer segurança na existência, confiança na ajuda sempre presente do mundo espiritual.
Em verdade, nada terá valor se a coragem nos faltar.
Disciplinemos nossa vontade, e busquemos o despertar interior todas as manhãs e todas as noites.
Rudolf Steiner
Estes versos e/ou meditações foram utilizados nas aulas do CB 11:
Ecce Homo
No coração tece o sentir,
Na cabeça luze o pensar,
Nos membros vigora o querer.
Luzir que tece,
Tecer que vigora,
Vigorar que luze,
Eis o homem.
Rudolf Steiner
Para o Primeiro Setênio
Da cabeça aos pés
sou a imagem de Deus.
Do coração às mãos
sinto o hálito de Deus.
Quando Deus eu avisto
em todas as partes,
no pai e na mãe,
em todas as pessoas queridas,
no animal e na flor,
na árvore e na pedra,
não sinto medo de nada:
só amor
A tudo o que está ao meu redor.
Rudolf Steiner
Para o Segundo Setênio
Com a luz querida
O sol clareia o dia
E o poder do espírito
Que brilha na minha alma
Dá força aos meus membros.
Na luz do sol ó Deus,
Venera a força humana
Que tu bondosamente plantaste na minha alma
Para que eu possa ter desejo de aprender
Para que eu possa estar
Ansioso em trabalhar
De ti vem a luz e força
Que para ti refluam
Amos e gratidão.
Rudolf Steiner
Para o Segundo Setênio
A luz do sol
Passada a noite
Veio clarear o dia
A alma acorda
Com força nova
Do sono que dormia
Tu minha alma
Dê graças a luz
Pois dentro dela
O poder do sol reluz
Tu minha alma
No dia a ressurgir
Tu sejas capaz de agir
Rudolf Steiner
Para o Segundo Setênio
Duas graças
há no respira:
inspirar o ar e dele se livrar.
inspirar constrange,
expirar liberta.
Tão lindo é feito da vida uma mescla.
Agradece a Deus quando ele te aperta,
e agradece de novo quando te liberta.
Goethe
Medicina Escolar
Era em tempos antigos
em que vivia vigoroso na alma dos iniciados
o pensamento que- doente por natureza todo ser humano é.
E a educação era considerada
igual ao processo de cura
que ao amadurecer trazia junto a saúde
para a vida perfeita do ser humano.
Rudolf Steiner (11/03/1924)
Intensivo – Julho de 2010:
“Quando a natureza começa a revelar seu segredo manifesto
sente-se um desejo irresistível por seu intérprete mais digno, a arte.”
Goethe
O ser universal todo está diante de nós
como a pedreira diante do mestre de obras.
Tudo fora de nós é só elemento –
aliás, permito-me dizer que também tudo em nós.
Mas no fundo de nosso íntimo existe essa força criativa
capaz de originar o que precisa vir a existir,
não nos deixando repousar nem descansar até que,
de uma ou outra maneira,
o tenhamos revelado fora de nós ou em nós mesmos.
Rudolf Steiner
Para Meditar:
“O trabalho artístico prepara o caminho para os espíritos,
que querem ajudar a seguir em frente.
E se quisermos trilhar este caminho, trilhá-lo com amor, então a paz e a harmonia estarão entre os homens sobre a terra.
Deste espírito do amor, que na verdade é também sempre o espírito do verdadeiro elemento artístico, emanará o espírito da paz, o espírito da harmonia, o espírito do amor sobre a terra” .
Rudolf Steiner
“Quando a natureza começa a revelar seu segredo manifesto
sente-se um desejo irresistível por seu intérprete mais digno, a arte.”
Goethe
“A arte nasce e se afirma onde quer que exista uma ânsia eterna e insaciável pelo espiritual, pelo ideal: ânsia que leva as pessoas à arte.”
“Na criação artística, porém, a personalidade não impõe seus valores, pois está a serviço de uma outra idéia geral e de caráter superior. O artista é sempre um servidor, e está eternamente tentando pagar pelo dom que, como que por milagre, lhe foi concedido. O homem moderno, porém, não quer fazer nenhum sacrifício, muito embora a verdadeira afirmação do eu só possa ser expressa no sacrifício. Aos poucos, vamos esquecendo disso, e, inevitavelmente, perdemos ao mesmo tempo todo o sentido da nossa vocação humana…”
Tarkovski
O imaterial é a realidade sensível do Universo.
A arte é o conhecimento sensível do imaterial.
Jesus Soto
“Não basta esperar que um novo tempo amadureça.
Nós somos esse tempo que se transforma e renasce
dos restos de um tempo que se acaba.
Quando espero que o milagre aconteça fora de mim,
sou parte do tempo antigo que resiste às mudanças.
Mas se vivo por inteiro essa existência,
com as cores e as formas que ela toma para me enganar,
sou parte da transformação, que se ensaia,
e que está sempre mudando cada coisa, devagar.”
Luis Carlos Lisboa
Em busca do outro
“Não é à toa que entendo os que buscam caminho.
como busquei arduamente o meu! E como hoje busco com sofreguidão e aspereza, o meu melhor modo de ser, o meu melhor atalho, já que não ouso mais falar em caminho.
Eu que tinha querido O CAMINHO, com letra maiúscula, hoje me agarro ferozmente à procura de um modo de andar, de um passo certo. Mas o atalho com sombras refrescantes e reflexo de luz entre as árvores, o atalho onde eu seja finalmente eu, isso não encontrei. Mas sei de uma coisa: meu caminho não sou eu, é outro, é os outros. Quando puder sentir plenamente o outro estarei salva e pensarei: eis o meu porto de chegada.”
Clarice Lispector
parte II do Guardador de Rebanhos
meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada m omento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo comigo
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo…
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender…
O mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo.
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar…
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar…
Alberto Caeiro
7º módulo
Não Sei Quantas Almas Tenho (Fernando Pessoa)
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não atem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu.
Heteronimos:
Fernando Pessoa tinha uma grande consciência sobre a sua própria condição mental. O exemplo mais claro desta consciência é precisamente algumas passagens da famosa carta da génese dos heterónimos dirigida a Adolfo Casais Monteiro a 13 de Janeiro de 1935.
Pessoa fala da “origem orgânica” dos heterónimos e diz:
“Começo pela parte psiquiátrica. A origem dos meus heterónimos é o fundo traço de histeria que existe em mim. Não sei se sou simplesmente histérico, se sou, mais propriamente, um histeroneurasténico. Tendo para esta segunda hipótese, porque há em mim fenómenos de abulia que a histeria, propriamente dita, não enquadra no registo dos seus sintomas. Seja como for, a origem mental dos meus heterónimos está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação. Estes fenómenos – felizmente para mim e para os outros – mentalizaram-se em mim; quero dizer, não se manifestam na minha vida prática, exterior e de contacto com os outros; fazem explosão para dentro e vivo-os eu a sós comigo. Se eu fosse mulher – na mulher os fenómenos histéricos rompem em ataques e coisas parecidas – cada poema de Álvaro de Campos (o mais histericamente histérico de mim) seria um alarme para a vizinhança. Mas sou homem – e nos homens a histeria assume principalmente aspectos mentais; assim tudo acaba em silêncio e poesia.”
Para ser grande, sê inteiro
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive
Ricardo Reis
Querer não é poder. Quem pôde, quis antes de poder só depois de poder. Quem quer nunca há-de poder, porque se perde em querer.
Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo…
“Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como várias pessoas,
Quanto mais personalidades eu tiver,
Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver,
Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas,
Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento,
Estiver, sentir, viver, for,
Mais possuirei a existência total do universo,
Mais completo serei pelo espaço inteiro fora.”
8º Módulo
- Entre o sono e sonho,
- Fernando Pessoa, 11-9-1933
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre -
Esse rio sem fim.
9º módulo
Símbolos
“O entendimento dos símbolos e dos rituais (simbólicos) exige do intérprete que possua cinco qualidades ou condições.
A primeira é a simpatia; não direi a primeira em tempo, mas a primeira conforme vou citando, e cito por graus de simplicidade. Tem o intérprete que sentir simpatia pelo símbolo que se propõe interpretar. A atitude cauta, a irônica, a deslocada – todas elas privam o intérprete da primeira condição para poder interpretar.
A Segunda é a intuição. A simpatia pode auxiliá-la, se já existe, porém não criá-la. Por intuição se entede aquela espécie de entendimento com que se sente o que está além do símbolo, sem que se veja.
A terceira é a inteligência. A inteligência analisa, decompõe, reconstrói noutro nível o símbolo: tem, porém, que fazê-lo depois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia no exame dos símbolos, é o de relacionar no alto o que está de acordo com a relação que está em baixo. Não poderá fazer isto se a simpatia não tiver lembrado essa relação, se a intuição não a tiver estabelecido. Então a inteligência de discursiva que naturalmente é, se tornará analógica, e o símbolo poderá ser interpretado.
A Quarta é a compreensão, entendendo por esta palavra o conhecimento de outras matérias, que permitam o símbolo seja iluminado por várias luzes, relacionado com vários outros símbolos, pois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia ter dito, pois a erudição é uma soma; nem direi cultura, pois a cultura é uma síntese: e a compreensão é uma vida. Assim certos símbolos não podem ser bem entendidos se não houver antes, ou no mesmo tempo, o entendimento de símbolos diferentes.
A Quinta é o menos definível. Direi talvez, falando a uns, que é a graça, falando a outros, que é a mão do Superior Incógnito, falando a terceiros, que é o Conhecimento e a Conversação do Santo Anjo da Guarda, entendendo cada uma destas coisas, que são a mesma da maneira como as entendem aqueles que delas usam, falando ou escrevendo.” Fernando Pessoa.
MAR PORTUGUÊS
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
Fernando Pessoa
Uma vez, numa noite escuríssima e trevosa, o tipo de noite em que a terra fica negra, as árvores parecem mãos retorcidas e o céu é de um azul-escuro de meia noite, um velho vinha cambaleando pela floresta, meio às cegas devido aos galhos das árvores. Os ramos arranhavam seu rosto, e ele trazia um pequeno lampião numa das mãos. A vela dentro do lampião tinha uma chama cada vez mais baixa. O homem tinha os cabelos amarelos e compridos, dentes amarelos e rachados e unhas amarelas e recurvadas. Ele andava todo dobrado, e suas costas eram arredondadas como um saco de farinha. Sua pele era tão vincada que caía em folhos do seu queixo, das axilas e dos quadris.
Ele se apoiava numa árvore e se forçava a avançar; depois se agarrava numa outra para avançar mais um pouco. E assim remando desse jeito e respirando com dificuldade ele ia atravessar a floresta.
Cada osso nos seus pés ardia como fogo. As corujas nas árvores piavam acompanhando o gemido das suas articulações à medida que ele seguia pelas trevas. Muito ao longe, tremeluzia uma luzinha, um chalé, um fogo, um lar, um local de descanso; e ele se forçava na direção daquela luz. No exato instante em que chegou à porta, ele estava tão cansado, tão exausto, que a pequena chama no seu lampião se apagou e o velho caiu porta adentro desmaiado.
Dentro da casa uma velha estava sentada diante de uma bela fogueira e ela se apressou a chegar até ele, segurou-o nos braços e o levou para perto do fogo. Ela abraçou-o como uma mãe abraça o filho. Ela se sentou na cadeira de balanço e o embalou. E ali ficaram os dois, o pobre e frágil velhinho, apenas um saco de ossos, e a velha forte que o embalava.
- Pronto, pronto. Calma, calma.Pronto, pronto.
Ela o embalou a noite inteira, e quando ainda não havia amanhecido mas estava quase chegando a hora, ele estava extremamente remoçado. Ele era agora um belo rapaz, de cabelos dourados e membros longos e fortes. Mas ela continuava a embalá-lo.
-Pronto, pronto. Calma, calma..Pronto, pronto.
E quando a manhã foi se aproximando cada vez mais, o rapaz foi se transformando numa linda criancinha com cabelos dourados como palha de milho.
No momento exato do raiar do dia, a velha arrancou bem rápido três fios da linda cabeça da criança e os jogou nos ladrilhos. Eles fizeram um barulhinho. Tiiiiiiiiiing! Tiiiiiiiiing! Tiiiiiiiing!
E a criancinha nos seus braços desceu do seu colo e saiu correndo para a porta Voltando o rosto por um instantenpara a velha, o menino deu um sorriso deslumbrante, virou-se e saiu voando para o céu para se tornar um brilhante sol da manhã.
Natal 2010
Ao som do sino
Admirar o belo,
Velar a verdade,
Venerar o nobre,
Fazer o bem,
Conduz o homem
A objetivos na vida,
à justiça no agir,
À paz no sentir,
À clareza no pensar;
Ensina-o a confiar
Na divina ação
em tudo o que existe:
No universo,
Na fundo da alma.
Rudolf Steiner
2º Intensivo, Qualidades Planetárias:
O Mistério de Éfeso
Ser surgido do cosmo,
Tu, na forma de luz,
Fortalecido pelo Sol
No poder da Lua.
Presenteiam-te
O ressoar criador de Marte
E o vibrar que movimenta
Os membros, de Mercúrio.
Iluminam-te
A sabedoria radiante de Júpiter
E a beleza portadora do amor de Vênus.
Que a intimidade de espirito,
Velha como o cosmo, de Saturno,
Consagre-te ao ser no espaço
E ao devir no tempo.
Rudolf Steiner
Para os Dias da Semana – Rudolf Steiner
Extraído do livro Anweisungen für eine esoterische Schulung
Tradução de Rudolf Lanz (revisão de Ruth Salles)
Edição: Associação Pedagógica Rudolf Steiner de São Paulo
O homem deve dar toda a atenção a certos processos anímicos que ele geralmente realiza de modo descuidado e desatento. Existem oito desses processos.
Naturalmente é melhor a pessoa se ocupar de um só exercício de cada vez, por exemplo, durante oito ou quinze dias, depois ocupar-se do segundo, etc., e depois voltar ao começo. O oitavo exercício, porém, seria melhor que fosse feito todos os dias. Alcança-se, assim, pouco a pouco o correto conhecimento de si próprio e constata-se quais os processos feitos. Mais tarde, talvez possa ser feito diariamente – começando pelo sábado – um exercício além do oitavo, durante cerca de cinco minutos, de modo que cada exercício caia sempre no mesmo dia, ou seja: no sábado, o exercício do pensar; no domingo, as decisões; na segunda-feira, a fala; na terça, a ação certa, etc..
Sábado
Prestar atenção nas próprias representações mentais (pensamentos). Só emitir pensamentos significativos. Aprender a distinguir, paulatinamente, em seus próprios pensamentos, o essencial do acessório, o eterno efêmero, a verdade da mera opinião.
Ao escutar o que diz o próximo, procurar ficar totalmente quieto interiormente e renunciar a todo consentimento e, principalmente, a todo julgamento negativo (crítica, rejeição), também em pensamentos e sentimentos.
Essa é a assim chamada “opinião certa”.
Domingo
Até mesmo em relação às ações mais insignificantes, só tomar uma decisão com base numa ponderação plena e bem fundamentada. Todo procedimento impensado, toda ação irrelevante devem ser mantidos afastados da alma. Deve-se sempre ter, para tudo, razões bem ponderadas. Deve-se deixar de fazer aquilo que carece de um motivo significativo.
Se estamos convencidos de que a decisão tomada é correta, devemos nos ater a ela, com toda a firmeza de ânimo.
Esse é o assim chamado “juízo certo” que não depende de simpatia nem de antipatia.
Segunda-feira
A fala. Dos lábios de quem aspira a um desenvolvimento superior, só deve manar o que tem significado e importância. Todo falar só para falar – por exemplo para passar o tempo – é, nesse sentido, prejudicial.
Devemos evitar o tipo comum de conversa, em que se fala de qualquer assunto, numa mistura inconseqüente; por outro lado, não nos devemos excluir da convivência com nosso próximo. É justamente no contato com os outros que a conversa deve evoluir paulatinamente até adquirir um caráter relevante. Que se dê resposta a qualquer interlocutor, mas de forma pensada, em todos os sentidos. Nunca falar sem motivo! Gostar de ficar calado! Que se procure não falar demais nem de menos. Primeiro ouvir com atenção e calma, depois digerir.
Esse exercício também se chama “a palavra certa”.
Terça-feira
As ações exteriores. Estas não devem ser perturbadoras para nosso próximo. Quando nosso íntimo (consciência moral) nos leva a agir, devemos ponderar cuidadosamente sobre a melhor maneira de corresponder ao bem do todo, à felicidade duradoura do próximo, à essência eterna.
Quando agimos a partir de nós mesmos – por iniciativa própria – devemos ponderar a fundo, de antemão, sobre os efeitos de nosso modo de proceder.
Isso também é chamado de “ação certa”.
Quarta-feira
A organização da existência. Viver de acordo com a natureza e com o espírito, não se deixar absorver pelas futilidades da vida exterior. Evitar tudo o que traz inquietação e pressa.
Não precipitar nada, mas tampouco ficar inerte. Considerar a vida como um meio de trabalho, de elevação, e proceder de acordo.
Isso também é chamado “ponto de vista certo”.
Quinta-feira
O anseio humano. Devemos ter o cuidado de não empreender nada que esteja além de nossas forças, mas tampouco deixar de fazer o que está dentro de nossas possibilidades.
Olhar para além do imediato e do dia-a-dia; fixar para si próprio metas (ideais) relacionados com os deveres mais elevados do homem. Por exemplo: procurar desenvolver-se por meio dos exercícios indicados, a fim de poder depois ajudar e aconselhar o próximo mais intensamente, mesmo que isso não se dê num futuro imediato.
O que foi dito também pode ser resumido em:
“transformar todos os exercícios precedentes em hábitos”.
Sexta-feira
O anseio de aprender com a vida o mais possível. Nada acontece conosco que não nos dê a oportunidade de colecionarmos experiências úteis para a vida. Se fizemos algo de forma errada ou incompleta, isso será um pretexto para fazermos, mais tarde, algo semelhante, mas de maneira mais correta e perfeita. Vendo outros agirem, devemos observá-los em seu caminho a um objetivo semelhante (embora sempre com um olhar carinhoso). Não devemos fazer nada sem antes lançarmos um olhar retrospectivo às nossas próprias vivências, que podem ser de ajuda em nossas decisões e realizações. Se estivermos atentos, podemos aprender muito com qualquer pessoa, inclusive com crianças.
Esse exercício também é chamado “memória certa”, isto é, lembrar-se do que foi aprendido, lembrar-se das experiências por que passamos.
Resumo
De vez em quando, olhar para o próprio interior, nem que seja durante cinco minutos por dia, sempre à mesma hora. Ao fazermos isso, devemos mergulhar em nós mesmos, apreciar-nos cuidadosamente, examinar e formar as normas de nossa existência, percorrer mentalmente nossos conhecimentos – ou o contrário, se for o caso – considerar nossos deveres, refletir sobre o conteúdo e a verdadeira finalidade da vida, sentir um autêntico desagrado em relação às nossas falhas e imperfeições. Numa palavra: cabe-nos descobrir o essencial, o duradouro, e levar a sério as metas correspondentes, por exemplo, a de adquirir determinadas virtudes (não devemos incorrer no erro de pensar que realizamos algo de forma perfeita, mas sim aspirar sempre a algo mais elevado de acordo com os modelos mais altos).
Esse exercício também é chamado “a contemplação correta”.

